Seguro alerta que será necessário um amplo consenso para a privatização total da TAP
O presidente da República, António José Seguro, defendeu hoje que uma eventual privatização total da TAP, "a existir", precisa de "um amplo consenso na sociedade portuguesa" e de um "debate sereno e racional".
Em declarações aos jornalistas em Ljubljana, onde se encontra para participar na sua primeira reunião do Grupo de Arraiolos, o chefe de Estado, questionado sobre o processo de venda parcial da TAP à Lufthansa e eventual privatização total da companhia aérea, admitida na véspera pelo primeiro-ministro, começou por salientar que são "duas situações completamente distintas".
"Uma situação é a privatização de uma parte minoritária do capital da TAP. O processo evoluiu, o Governo fez a sua escolha, e neste momento segue-se a elaboração do contrato entre o comprador e o vendedor", começou por apontar.
"E aquilo que para mim é muito importante é que se continuem a assegurar os interesses estratégicos do nosso país, designadamente a manutenção do hub em Lisboa, a garantia de que há rotas que são importantes para nós, quer rotas internacionais, quer rotas nacionais, designadamente para os arquipélagos da Madeira e dos Açores, mas também no nosso continente. E é isso para mim que é fundamental e crucial", declarou.
Já quanto à "outra fase, a existir, é uma fase que, no fundo, precisa de quê? De um amplo consenso na sociedade portuguesa e precisa de um debate sereno e um debate racional", completou o presidente da República.
Na quarta-feira, o Governo admitiu a privatização total da TAP até 2028, trocando uma parte do capital da companhia aérea por participação social na Lufthansa com o objetivo de recuperar o valor total investido pelos portugueses, anunciou o primeiro-ministro.
O Governo selecionou na quarta-feira a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
Em conferência de imprensa, Luís Montenegro afirmou que a parceria entre a TAP e a Lufthansa aponta para "o caminho da recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP" e disse que "é com este mesmo objetivo que o Governo encara a possibilidade de, numa segunda fase até 2028, como propõem de resto os candidatos, trocar o capital remanescente por uma participação social na `holding` do respetivo grupo".
Em reação, o PS considerou precipitado que o primeiro-ministro assuma que terá "capacidade política" para avançar sozinho para a privatização total da TAP, defendendo que o montante conseguido na privatização parcial da empresa mostra que os socialistas "tinham razão".
"Neste momento, o PS é a favor de uma privatização parcial, que foi hoje conseguida. O sucesso que reconhecemos do montante arrecadado com esta privatização parcial mostra que o PS tinha razão e que a privatização parcial é possível, é atrativa e mantemos a nossa posição a favor de uma privatização parcial", disse na quarta-feira o dirigente do PS Filipe Santos Costa, numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
Questionado sobre o facto de Luís Montenegro ter admitido a privatização total da TAP até 2028, Filipe Santos Costa sublinhou que "o Governo tem que dialogar na Assembleia da República" porque "é um Governo de minoria".